TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

 

O autismo acomete pessoas de todas as classes sociais e etnias, ocorre mais em meninos do que em meninas. Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida e as pesquisas mostram que uma em cada cem crianças é portadora do espectro. Na nova nomenclatura, o DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria)usou o termo Transtorno do Espectro Autista (TEA), para abranger a dimensionalidade das características cognitivas e psicológicas e diminuir a ambiguidade que se tinha entre os quadros clínicos.  

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um grupo de desordens de origem neurobiológica marcadas por perturbações do desenvolvimento neurológico com maior comprometimento nas dificuldades de comunicação como dificuldade na fala e em expressar ideias e sentimentos, dificuldade de socialização e um padrão de comportamento restrito e repetitivo. 

De acordo com o quadro clínico, o TEA pode ser classificado em:

·  Autismo clássico – grau de comprometimento pode variar de muito. 

·  Autismo de alto desempenho (síndrome de Asperger, na antiga nomenclatura) – os portadores apresentam as mesmas dificuldades dos outros autistas, mas numa medida bem reduzida. 

·  Distúrbio global do desenvolvimento sem outra especificação (DGD-SOE) – os portadores apresentam características dentro do espectro do autismo (dificuldade de comunicação e de interação social), mas os sintomas não são suficientes para preencher totalmente as categorias específicas do transtorno, o que torna o diagnóstico muito mais difícil.

O diagnóstico é confirmado quando a criança apresenta características das três áreas que são afetadas no TEA: interação social, alteração comportamental e falhas na comunicação.  O TEA manifesta-se em diferentes graus e intensidade, por isso, a criança pode ser diagnosticada com autismo leve, moderado ou grave conforme o grau de comprometimento que a criança tenha.

O TEA possui uma variedade grande de sintomas, representa uma das condições mais heterogêneas da psiquiatria, envolvendo tanto formas mais leves até formas mais graves, o que faz com que o diagnóstico no TEA seja um grande desafio. É fundamental a compreensão dessa variedade de sintomas de cada caso para o bom planejamento de procedimentos clínicos. Por isso é importante procurar uma equipe de profissionais especializados, que compreendam esta variedade de sintomas para a realização do diagnóstico quando há suspeita de TEA. 

O diagnóstico é essencialmente clínico. Tem como base os critérios estabelecidos pelo DSM–V (Manual de Diagnóstico e Estatística da Sociedade Norte-Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS). 

O diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível para o início de intervenções que ajudarão no desenvolvimento e adaptabilidade da criança em seu ambiente. Ainda que seja apenas suspeita, o paciente se beneficia da intervenção precoce, pois auxilia nas dificuldades reais que ele tenha. Sendo o TEA um transtorno do neurodesenvolvimento, seus sintomas podem ser detectados desde a primeira infância. A identificação precoce minimiza os impactos na vida da criança autista, já que é possível começar uma intervenção antes que os sintomas se agravem e diminui a angustia da família com as dificuldades em lidar com os sintomas do TEA.

Crianças com autismo precisam de tratamento e suas famílias precisam de apoio, informação e treinamento. Com tratamento e informação adequados, a vida da criança TEA e sua família pode ser muito mais tranquila.

 

Dra. Wanessa Garcia Santos Oliveira – psicóloga, psicopedagoga, mestra e doutora em Neuropsicologia Cognitiva (USP)